A abundância no Reino de Deus

Texto: Marcos capítulo 10.

Por que Jesus começou a falar sobre isso? Por que ele chamou à parte seus discípulos para falar sobre sua morte, sobre a Cruz, um momento tão difícil? Qual o desejo d’Ele? O que pretendia ensinar aos discípulos? Jesus sempre estava ensinando. Ele não desperdiçava tempo ou palavras quando se reunia com as pessoas. Desses muitos ensinamentos, hoje falaremos sobre os desejos que ocupam o coração do homem.

Marcos 10: 17 – 31 lemos sobre um jovem rico que se aproxima de Jesus para fazer uma pergunta: o que posso fazer para ganhar a vida eterna? Ao prostrar-se diante do mestre, sua pergunta fala sobre como herdar a vida eterna. Aquele jovem não queria ir para o céu, ele desejava a vida eterna. Hoje, para nós, pensar na vida eterna significa ir para o céu. Mas não podemos nos esquecer que esse homem era um hebreu, não um ocidental como nós vivendo no século vinte e um.

Um hebreu não tem costume de se ajoelhar diante de ninguém. O jovem o fez porque reconheceu Jesus como o Messias. O que eu devo fazer para ter a vida eterna? Como participar o reino messiânico? O reino do Messias implica um reino de paz (shalom). Este reino shalom significa prosperidade, riquezas e benefícios para todos, com ausência de doenças, pobrezas ou problemas políticos. Como participar desse reino, bom mestre?

Ao chamá-lo de bom, aquele jovem reconhece Jesus como filho de Deus. Não como nós o reconhecemos hoje, como um Deus encarnado. O jovem o reconhece como o Messias. Para ele Jesus era o Messias que traria paz para todo o Israel. Jesus era o Messias, o grande libertador do domínio de Roma.

Jesus faz relação: tesouro nos céus e vida eterna. Mais tarde, Paulo também expõe o mesmo conceito: reino de Deus. Nas cartas de Pedro também lemos sobre o reino de Deus. Para nós, ocidentais deste século, entenderíamos assim: como ser feliz nos dias atuais? Buscamos ser felizes, o tempo todo. O conceito dos hebreus não era um conceito pós-morte, mas de um reino messiânico, no presente.

As pessoas querem esse estado de abundância, essa plenitude. O que fazer para alcançar? A primeira resposta foi uma pergunta: você conhece os mandamentos? Se sim, é um excelente começo. Para continuar, Jesus diz: pega tudo o que você tem, vende, dá aos pobres e depois me segue. Que revolução é essa? Que reino é esse?

O jovem se entristece e se retira, porque possuía muitos bens e não querem se desfazer deles. Às vezes pensamos que um rico não pode ir pro céu, por causa das palavras de Jesus. Sabe o que é um furo de uma agulha? Alguns dizem que são fendas nas muralhas. Outros dizem que são passagens secretas cavadas sob as muralhas. Outros dizem que camelo são cordas de navio. Ouvi o seguinte: em altos horários, as muralhas tinham suas portas fechadas. Mas ao lado dessas portas, existiam pequenas portas chamadas agulhas, por onde passava apenas uma pessoa, sem o seu animal. Mas para facilitar nossa mensagem pense literalmente.

Entram em cena os discípulos de Jesus com uma pergunta intrigante: pode alguém ser salvo, então? Alguém pode alcançar o Reino de Deus? Jesus responde: O que o homem não pode, Deus pode.

O homem busca com toda sede, mas nada encontra. O ser humano, no mais profundo da sua vida quer a sua realização pessoal. O homem busca a fonte da realização pessoal. Ainda nesse capítulo lemos sobre outras questões. A partir do verso 35 lemos sobre o pedido de Tiago e seu irmão João, filhos de Zebedeu. Eles queriam ser o ministro da Casa Civil e Ministro da Fazendo, um a direita e outra a esquerda. Um pedido muito básico. Outra vez eles pensavam no reino messiânico, no qual Jesus venceria o império romano e todos ficariam bem.

Jesus diz que quem governa, o faz para ter domínio e poder sobre outras pessoas e dessa forma, adquirem benefícios. Aqueles irmãos pediam privilégios, mas no reino de Deus a ótica é diferente da ótica dos poderosos.

Em todos o capitulo 10 do livro de Marcos podemos identificar grandes perspectivas sobre o Reino de Deus. Continuando a leitura, lemos sobre o cego, filho de Timeu que gritava cada vez mais alto. Os discípulos tentavam calá-lo, porque pensavam que Jesus, aquele que libertaria Israel de Roma, não teria tempo para atender um cego ou crianças. No reino dos homens, eles excluem mendigos, pobres e até os pequeninos.

Em uma pesquisa americana, mulheres listaram a ordem da sua felicidade em uma lista de dezenove itens. Nesta pesquisa, cuidar de crianças ocupou o décimo sexto lugar. Fazer compras, ter bens era muito mais importante. No mundo dos poderosos, crianças não têm espaço.

Os mendigos entram na igreja e querem falar, durante o culto e dão muito trabalho, tirando a atenção de todos. Pessoas pedem dinheiro para cuidar de seus carros. Não queremos compartilhar o fruto do nosso trabalho com aquele que não está trabalhando. Mas o fazemos pelo medo de ter nosso carro danificado por alguém ou mesmo por aquele pedinte. Quando damos algo, escolhemos a menor moeda.

As palavras de Jesus àquele jovem pediam para ele olhar para os pobres, ao seu redor. O reino de Jesus é um reino de comunidade e para todos. Quem são os fracos? O que você pretende receber de Jesus, hoje, inclui os pobres e fracos? Talvez hoje, o pobre ou fraco seja um parente seu que você já não suporta mais. O fraco para nós pode ter várias faces. O que você exclui de seu convívio e da sua vida? O reino de Jesus não exclui pessoas. Tanto crianças como mendigos estavam sendo afastados de Jesus. Para Jesus, o reino de Deus é para todos.

Marcos capítulo dez verso dois escreve sobre casamento, ou melhor, sobre divórcio. Qual era o contexto dessas palavras? Os poderosos usam o poder e autoridade que tem sem olhar a quem. A autoridade máxima no tempo de Jesus se chamava Herodes, que tinha um irmão Felipe que possuía uma esposa chamada Herodias, porque quem ele se encantou. Herodes se achou no direito de possuir a mulher do irmão. Então, entra em cena João Batista, combatendo a atitude ilícita do imperador. Salomé, filha de Herodias agrada ao Rei com sua dança. Herodes promete qualquer coisa a ela. Salomé sabe o que fazer: mate João Batista. Este homem está falando demais sobre o “romance” da minha mãe. Esse era o contexto da pergunta. É digno casar-se com outra mulher?

Queriam colocar Jesus em situação parecida com a de João Batista. Esperavam que outra pessoa perdesse a cabeça, assim como acontecera com o profeta. No reino dos poderosos não há espaço para crianças, pobres e profetas. Eles sempre atrapalham. Para fazer parte do Reino de Deus eu tenho que abrir mão dos meus desejos. Para fazer parte do Reino de Deus, devo andar ao lado dos fracos e suportá-los.

Jesus fala dos poderosos e suas vontades. A humanidade tem três grandes ídolos ressaltados no capitulo dez de Marcos: poder, sexo e dinheiro. Estes ocupam o coração das pessoas e enchem o ser humano das suas vontades. E quem não consegue dominar essas vontades não pode alcançar a plenitude da vida. Esses três ídolos dominam as pessoas.

Quando você começa a favorecer os desfavorecidos, você passa a fazer parte do Reino de Deus. Aquele jovem que desejava alcançar a plenitude da vida era escravo do seu dinheiro e bens. No Reino de Deus, precisamos dividir o que temos com aqueles que não têm nada. No Reino de Deus o poder dos poderosos é servir, com bacia e toalha. Estender as mãos, abrir portas para que outros possam entrar. Não é mandar ou humilhar o próximo. No palácio dos poderosos não existe espaço para pobres, crianças, mendigos ou profetas que apontam seus pecados.

Hoje, eles não querem que as crianças nasçam. Querem aprovar o aborto. Falam em nome dos pobres, mas nunca os deixam crescer. Alimentam estes na sua miséria e pobreza. Na igreja não se pode falar sobre política, porque tem um discurso ultrapassado. A igreja não pode se misturar com o mundo. Quem tem poder para salgar e iluminar senão a igreja?

E o sexo? Este tem alcançado os corações. A traição, adultério, prostituição, pornografia e internet. As pessoas casam e divorciam quantas vezes for preciso. E ainda sim querem viver o melhor de Deus, a plenitude da vida.

Neste capítulo do livro de Marcos lemos sobre os três males. Na busca dessas coisas é que desgraçamos nossas vidas e das pessoas a nossa volta. Quem procurou isso tudo, se encontra hoje em trapos e molambos, arrebentados emocionalmente. Pense no deus deste mundo. O que tem penetrado sorrateiramente no seu coração? O que tem estado ao seu derredor procurando a quem possa tragar?

Se você não abrir mão do seu projeto particular, não poderá entrar no Reino de Deus. Quem tem projeto particular, não se associa ao projeto de Deus.

Apóstolo Anselmo Valadão
24.10.10

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