A morte de um inocente

Mateus 16: 24 – 26

24 – Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me;

25 – Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á.

26 – Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?

Jesus, na passagem acima, está nos falando da sua própria morte. Da cruz. É sempre importante questionar as palavras de Jesus porque Ele sempre nos ensinará algo. Por que Jesus está falando isso? Porque aquele que quiser andar com ele, recebe um convite estanho, não muito comum. Quem quiser segui-lo, tem que tomar a cruz, buscar a morte. Negue-se, tome a sua cruz e me siga. Afinal, qual é o contexto desses versos?

Pedro é exaltado por Jesus, quando este chama Jesus de revelação de Deus: Tu és o Cristo. Contudo, logo em seguida, ele tem outra postura. Jesus começa a apontar o que está por vir, mas Pedro o interrompe dizendo que Jesus não morrerá. Seus discípulos farão o que for preciso para evitar isso. O que Jesus diz a ele? Para trás de mim, Satanás. Tu és para mim pedra de tropeço, obstáculo.

Jesus fala de sua morte e crucificação. O que significa esta mensagem maluca? Palavras de pessoas suicidas? A mensagem da cruz é loucura, porque quem está naquela cruz é o mesmo Jesus que é inocente, sem culpa ou pecado. Ninguém, em sã consciência entende um inocente sofrendo morte de cruz. Estamos falando do mesmo Jesus que cuidou dos pobres, operou milagres. Essa mensagem de morte é inaceitável. Por que um inocente morrerá nessa cruz?

Foi uma escolha do próprio Jesus morrer desse jeito. Ele escolher ir para a Cruz. Por espontânea vontade Jesus quis ir para ela. Além de ir para a cruz, ele ainda recomenda para seus discípulos. Isso tudo parece escândalo.

A Bíblia nos descreve, desde Gênesis, escândalos, inclusive sobre a criação do próprio homem. Do pó da terra, Deus fez um boneco de barro e soprou fôlego de vida. Podemos dizer que o homem é um bicho com potencialidades divinas, com sentimentos e desejos de Deus. O tempo todo ele quer ser como Deus. Age como Deus, sempre.

O homem é um ser divino, mas com debilidades. Com fraquezas e deficiências. Qualquer dor o derruba. De acordo com as palavras de um famoso pensador: não posso nada, não tenho nada nem sou nada, mas tenho em mim, todos os desejos do mundo. Sempre que olhamos para o homem, vemos seu anseio do imortal.

Leia I Co. 15 – o último inimigo a ser vencido: a morte. Estamos falando de algo horrível, de um confronto desconfortável. Creio que não fomos criados para isso. Ninguém deve ser consolado na morte, porque não é possível. Entenda isso:

Deus criou o homem e o colocou no Éden. Não sabemos a quantidade exata das árvores do jardim, mas duas se destacavam: a árvore da vida e do conhecimento. Se o homem comesse da árvore da vida e em seguida, do conhecimento, se tornaria um ser imortal, caído como o é Lúcifer. Este enganou o primeiro casal, justamente por afirmar que a morte não seria real para eles. Na ocasião ele disse que o casal seria semelhante a Deus e, não poderiam morrer. Essa natureza de querer ser igual a Deus coloca o homem em situações ruins. Em Gênesis, vemos o tempo todo o homem querendo ser como Deus.

A Torre de Babel é exemplo disso. Os homens pensavam: seremos iguais a Ele quando terminarmos a torre. O desejo do homem é querer ser como Deus, fazer seu nome famoso como no projeto da Torre de Babel. O ser humano que não pode mais ser repreendido, contrariado, agindo como um Ego absoluto, que destrói casamento e família. As pessoas não dão nada a ninguém, querem apenas ter. O Ego Absoluto do homem é o responsável por destruir casamentos, arruinar famílias inteiras, porque querem tudo para ontem e, se isso não acontece, não hesitam em causar problemas.

Ao olharmos no espelho, as marcas do tempo, a velhice que se aproxima, nos deixa descontentes e desesperados. Optamos por tentar diminuir os sinais do tempo com cirurgias plásticas e mutilações no próprio corpo. É sinal que você está se desfazendo. Queremos minimizar as ações do tempo com a tecnologia e ciência, porque não admitimos sermos vencidos por ele, queremos firmar nosso nome. Egos Absolutos querendo o destaque o tempo todo. Hoje pensamos assim: não posso ser como Deus, é impossível, mas posso melhor que você.

Jesus não quis ser igual a Deus, não quis usurpar essa posição. Mesmo sendo Jesus de Nazaré, filho de Deus, Ele abriu mão de tudo para morrer na cruz pela Humanidade. Ele nasceu do útero de uma mulher, ou seja, se tornou humano. Jesus disse: sim, eu morrerei. Mas a serpente usou outro homem para dizer: não. Por isso Jesus o repreendeu.

A conversa do diabo, no deserto, quando Jesus foi tentado foi tentar facilitar e encurtar os caminhos. Ele disse: coma agora, não passe fome, transforme as pedras em pães e sacie sua fome. O caminho do diabo sempre soa mais fácil, mas conduz sempre para a perdição. Contudo, o caminho de Jesus fala de morte que conduz à Eternidade.

O convite de Jesus pode parecer loucura. Fala de morte, de cruz. Mas este é o melhor caminho que conduz a segurança de uma vida com Deus, afinal de contas, a eternidade é tempo demais para viver sem Deus. Pense nisso. Não queira você firmar seu nome aqui, na Terra. Ao perder sua vida, o homem achará a vida eterna, na glória e na presença de Deus.

Ap. Anselmo Valadão.

31.10.10

 

Publicar um comentário