É tempo de amadurecer

Texto bíblico: Marcos 1: 14-20

A Bíblia escreve que formosos são os pés daqueles que anunciam a Palavra. (Romanos 10:15). No tempo de Jesus, um discípulo era assim considerado porque seguia seu mestre de perto, tão próximo que a poeira dos pés do seu mestre sujava os seus pés. Em função disso, Paulo escreve a passagem acima, ressaltando a importância de se ter um discipulador. Ser discípulo significa isso: seguir, acompanhar, andar atrás do mestre.

Jesus também tinha seus discípulos, homens que o seguiam. Eles andavam por estes lugares, cheios de terra, areia e até excrementos de animais. Os discípulos iam aonde o mestre ia e nesta caminhada, a poeira dos pés do mestre sempre estava depositada na “vida” dos discípulos. À medida que a caminhada acontecia, o tempo passava e por causa de Jesus, seus nomes ficavam conhecidos. Esta fama começou a expor o que existia em seus interiores. Enquanto eles andavam com Jesus, a caminhada revelada e expunha quem eram aqueles homens.

Pedro e Mateus eram os homens mais experientes da equipe de seguidores de Jesus e talvez, por causa da sua idade, você pense que eles não tinham o que revelar sobre si mesmo. Os outros discípulos, por sua vez iam se fazendo conhecer pelos outros. João e seu irmão Tiago desejam uma posição de destaque no Reino que Jesus estava para estabelecer. A própria mãe desses jovens pediu ao mestre que eles estivessem à direita e à esquerda d’Ele. Mais tarde, ao descerem do Monte da Transfiguração eles iniciam uma discussão para saber quem era o maior discípulo no meio deles. Em seguida, estes mesmos jovens proíbem que outros usem o nome de Jesus par expulsar demônios por não considerá-los discipulos que andavam junto do Mestre como eles e, portanto, não merecedores de usar o nome de Jesus ou praticar tais atos como o de expulsar um demônio. Havia investimento de Jesus em seus discípulos e por causa disso, eles se achavam especiais. Eles tinham algumas preferências e amizade com Jesus. Os outros não faziam isso, não andavam com o mestre, em outras palavras, tais pessoas não tinham a preferência de Jesus.

Estes discipulos eram que falavam com Jesus, comiam com Ele, chegando ao ponto de falar em nome d’Ele e até mesmo contra ele. No coração deles, eles eram como que sócios da revelação divina pelo fato de andar lado a lado com o Mestre. Como meninos imaturos e inconsequentes, se consideravam os únicos capacitados a falarem de Jesus. Eles ainda não haviam compreendido que todos eles eram parte do processo da Graça de Deus que inclui a todos. Não entendiam ainda que o chamado de Jesus fazia deles facilitadores deste Reino. Contudo, estavam agindo como barreiras de separação e não como extensão do Reino de Deus.

Ainda no mesmo surto de imaturidade, João dotado de um estranho poder espiritual, não ensinado por Jesus, deseja que os samaritanos que recusaram oferecer abrigo ao mestre e seus discipulos sejam queimados por fogo que desce do céu. Que loucura.

Mas o tempo passa e o menino João cresce e se torna um homem maduro e amoroso. É o mesmo João que escreve em sua primeira epistolo: “quem ama é nascido de Deus, quem não ama odeia a Deus (…) porque Deus é amor”. João agora é um homem com a percepção correta do Reino de Deus e com a maturidade necessária para amar a todos, assim como Jesus o fazia.

Pedro, depois de tudo o que viu, ouviu e experimentou ao lado de Jesus se sente no direito de repreender Jesus quando este descreve detalhes da sua morte que estão por vir. Ele jamais entendeu que tudo aquilo era necessário para que se cumprissem as profecias. Tudo fazia parte da revelação divina, mesmo assim, em algum momento eles não perceberam a importância de todos os acontecimentos. O mesmo Pedro que foi elogiado por Jesus, foi também repreendido pelo mesmo.

Mais tarde, Jesus avisa a Pedro que satanás havia requerido sua alma, mas Jesus estava cuidando dele. Estes são os discípulos com os quais Jesus andava todo dia e com quem compartilhava seus ensinamentos. Mais tarde, em outra ocasião, a coragem de Pedro e dos filhos do trovão (Tiago e João) é substituída pelo mesmo sentimento de covardia e todos abandonam a Jesus. No momento final e difícil não havia nenhum discípulo com Ele.

Quem eram estes considerados discípulos e chamados por Jesus de amigos? João 15 diz que aquele que cumpre as palavras de Jesus será chamado de amigo, não apenas de discípulos. Amigo não te abandona, sustenta o outro e oferece seu ombro quando necessário. És mais que discípulo, mais que servo, são meus amigos.

Foi assim e sempre será assim, o que importa é a paciência de Jesus com todos eles. Muitos, em curto espaço de tempo, deixam-se levar por pequenas perturbações, por correntes de doutrinas, pela vaidade de poder, pela ânsia de ser maior que outro ou pela vontade de impedir que outros tivessem o mesmo relacionamento com Jesus. Isto é assustador.

Hoje, muitos continuam assim. Anos depois, Pedro foi repreendido por Paulo. Havia alguns discipulos de Tiago de Jerusalém que foram procurar Pedro. Este queria, como judeu, se manter afastado dos gentios. Paulo o repreende. Eles parecem cair nos mesmos enganos. Aqueles meninos que cresceram e se tornaram homens, ainda sim tinham dificuldades. Contudo, Jesus não desiste deles. Agimos assim. Usamos o nome de Jesus e abusamos da autoridade para intimidar pessoas e forçá-las a nos seguir. Mas Jesus não desiste de pessoas assim e suas tolices.

Como Jesus, precisamos ter paciência com todos. É preciso ser maduros para entender o próximo. Alguns saem por ai querendo fazer carreira própria. Sem sua delegação, usam sua imagem, ensinamentos e seu nome, para justificar o que estão fazendo. Os anos que se passam precisam nos dar maturidade. Esse Jesus que não abandona pessoas precisa ser nosso modelo. A maturidade de quem lidera ensina a deixar como Jesus deixou, sem abandonar, porque esses esquecidos se lembrarão da realidade: nunca foram abandonados e sempre foram amados.

Muitos agirão como meninos, que precisarão de repreensão, mas que não as aceitarão. Esses mesmos surtos de infantilidade estavam presentes na vida daqueles jovens que mais tarde se tornaram grandes apóstolos do evangelho. Tenha paciência. Ame o tempo todo. Aqui, neste ministério, todos possuem o mesmo chamado para o crescimento. Quando a existência nos chama para decidir o que fazer com o poder dado pelo processo do discipulado, o que fazer?
Não podemos agir como discipulos crianças. Estamos chamando todos para enxergar e crescer, para serem modelos e padrões para outros. Neste ministério não temos as cadeiras ou paredes como nossos limites. Este prédio não é nosso ponto final. Precisamos conquistar daqui em diante. Quanto mais buscamos em Deus, mas precisamos nos inteirar d’Ele.

Todos nós, como discípulos de Jesus, temos um chamado: ser pescador de almas. Teremos falhas, tolices e muitas dificuldades. Da mesma forma que Jesus não desistiu, nós também não devemos esquecer dos nossos discipulos. Haja como homem maduro, não como crianças imaturas. Paulo disse: quando eu era menino, agia como menino, agora sou homem e tenho atitudes de uma pessoa madura. Este é o nosso chamado.

Ap. Anselmo Valadão

23.01.2011

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