O meu próximo está perto de mim

Texto: Lucas 10: 25-37

Jesus não desperdiça tempo, nem palavras. Em todo o momento e em qualquer circunstância, Ele estava ensinando seu povo. Sabendo que lhe restava apenas três anos e meio para promover a transição de uma geração e a partir daí fazer nascer uma igreja, Jesus utilizava de toda oportunidade para ensinar.

Por causa disso, em todo o momento, Jesus era intenso em tudo o que fazia e falava, inclusive no seu discipulado. Em todo o tempo, de dia e de noite. Em todo o lugar: nas ruas, avenidas, nas cidades, no barco, no monte com seus discípulos e seguidores, Ele não deixava de falar sobre as verdades do Reino. Como as pessoas deveriam se comportar neste Reino?

Hoje, quero deixar bem claro para você que o discipulado não é um clichê. O que é um clichê? Poderia ser entendido como um jargão, algo dito da boca para fora.

No texto acima, Jesus nos convida a viver acima dos clichês. Quando Ele fala do amor ao próximo e isso pode ser entendido como um clichê, pois por mais que eu diga que eu ame o próximo, nem sempre isso é verdade, é apenas da boca para fora, Jesus está ensinando para aquele homem que a vida está acima dos clichês, do simples jargão ou pronunciamento. Precisamos viver mais do que da boca para fora. Jesus chama aquele homem para superar os seus clichês. Ele responde aquele homem com a mesma pergunta que ele fez. Jesus conta a parábola e em seguida, responde a pergunta: quem é o meu próximo com outra pergunta, agora dirigida àquele homem: quem é o próximo daquele que caiu na mão dos salteadores? O jovem responde: quem usou de misericórdia com ele.

Em quem momento amamos o próximo? Precisamos perceber que existe um próximo. Quem é ele? Aquele que está perto de mim. O sacerdote que descia o caminho, passou “perto” do homem vítima dos salteadores e continuou seu caminho, foi embora. O levita fez da mesma forma. Contudo, o samaritano aproximou-se dele, moveu-se de compaixão, cuidou das suas férias, levou-o para a estalagem, hospedou a vítima, pediu cuidado para ela e disse: continue cuidando desse homem. Então este é o próximo.

Jesus então disse para aquele jovem que ele deveria notar que os que estão perto são os próximos. Quantas pessoas estão perto de nós, mas não são nossos próximos. Quando nos movemos de compaixão por alguém é que podemos chamá-lo de nosso próximo. Devemos transformas as pessoas perto de nós em nossos próximos. Era isso que Jesus estava ensinando por meio da parábola.

Por meio da parábola podemos entender alguns ensinamentos de Jesus. Não precisamos amar o mundo inteiro, na verdade não conseguimos fazer isso, mas devemos amar nosso próximo. Também aprendemos que não precisamos ser amigo de todos. Você acha que Jesus era amigo ou amava a todos? Precisamos amar a todos, mas isso não significa que devemos gostar de todos. Jesus não gostava de Herodes, nem dos doutores da Lei nem dos fariseus.

Dentre a multidão, Jesus gostava e era mais próximo de setenta discípulos. Depois desses, Jesus era mais próximo de doze. Destes, era mais próximo de três e desses, Jesus era mais próximo de um. O próprio Jesus tinha lá suas preferências.

Jesus está ensinando aquele jovem que ele não deve gostar de todas as pessoas, mas deve amar o seu próximo. Amar não significa pegar o caído à beira do caminho e levá-lo para dentro da sua casa. O samaritano não fez isso. Levou aquele homem ferido para uma estalagem e cuidou dele lá. Algumas pessoas confundem as coisas.

Jesus não gostava de todos os discípulos, nem você gostará de todos os seus discípulos. Quando Jesus entra na casa para ressuscitar uma menina, ele leva Pedro, João e Tiago. No monte da Transfiguração, estes mesmos três discípulos estão com ele. Porém, no momento da Ceia, João é quem está deitado no colo de Jesus. A Bíblia chama João de discípulo amado, com quem Jesus compartilhava intimidade. Os outros discípulos pediram a ele que perguntasse a Jesus quem seria o traidor.

No discipulado funciona do mesmo jeito. Não devemos pensar que devemos ser amigos de todos. Devemos amar a todos, isso sim. Amar é querer bem. Gostar é trazer pra perto. Então eu posso querer bem a todos, como Jesus o fazia, mesmo assim não trarei todos para perto de mim.

Quem senta à mesa com Deus? Todos? Não. Os ímpios? Também não. O injusto? Claro que não. Apenas os justos e santos. Existe sim um critério de seleção. É fácil amarmos os que estão longe. É fácil amar o angolano ou chinês, que estão bem longe de nós, contudo as palavras de Jesus são para que amemos os que estão próximos de nós. A questão aqui é tomar o que está perto de mim e fazer dele o meu próximo, no meu discípulo.

Quantas pessoas estão perto de nós, mas não são nossos próximos. Talvez você não seja próximo da sua sogra, mas ela está perto de você. Quantas vezes temos que tomar o que está perto e torná-lo nosso próximo. O que Jesus está ensinando é: olhe para quem está perto de você. Ao passar perto de alguém, atente-se para a necessidade dele e transforme-o no seu próximo. Dá a essa pessoa condições de viver. Cuide dela. Ame-a, pois o nosso maior desafio é esse: amar quem está perto de nós. O sacerdote e o levita passaram perto, mas não amaram aquele homem.

Amar os que estão longe é muito fácil. Amar o que está perto é mais complicado. Jesus trouxe seus discípulos para perto de si, amando a todos a ponto de dar sua vida por eles. Chegou o momento em que Jesus não mais os chamava de servos, mas de amigos.

Quem está perto de você que ainda não é o seu próximo? Você não deve fazê-lo seu amigo ou levá-lo para sua casa. Ser próximo é deixar nossos interesses por alguns instantes e olhar os que estão pertos. Precisamos sair do clichê ou exagero do discipulado e ver a realidade de quem é meu próximo e como tenho exercido meu discipulado. Como eu tenho alcançado as vidas? Será que tenho feito das pessoas próximas pessoas de quem eu cuido, cuido das suas feridas, derramo azeite e vinho, acudo e dou o necessário para que ele se sustente e se levante?

Ap. Anselmo Valadão

12.12.2010

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