Um ministério de relacionamentos sadios.

Texto:

Provérbios 27: 17 :Como o ferro ao ferro se afia, assim o homem ao seu amigo.

A Bíblia é cheia de paradoxos ou antagonismos. Coisas do tipo: aquele que ganha é quem perde. E quem perde, na verdade está ganhando. Você é uma pessoa livre quando resolve viver preso a Cristo. O tempo todo isso acontece na Bíblia, antagonismo e dualismo, com o intuito de nos ensinar algo. Este paradoxo trará crescimento.

O contexto desse versículo é um ambiente repleto de crescimento, principalmente para uma igreja que vive a visão celular, na qual os grupos pequenos priorizam o relacionamento. Contudo, o mesmo ambiente que pode trazer crescimento, pode trazer incômodos. A amizade pode ser construída neste afiar ou ser destruída pelo atrito. O mesmo acontece em outro relacionamento, como o casamento. Em ambos os casos, estamos falando de relação de permissão entre duas pessoas.

O segredo para o êxito de uma amizade pode ser também o motivo do fracasso. A Bíblia nos ensina que a amizade é construída mediante uma relação dolorosa, mas sempre um local de crescimento, melhorias e de estruturação, mesmo em meio ao atritar e dificuldades.

O pior que pode acontecer a uma amizade ou casamento é a falsa convicção de que se conhece tudo sobre o outro, em toda a sua plenitude. Não devemos pensar que conhecemos o outro na sua totalidade ou plenitude e dessa forma, impedirmos a capacidade de aprender ou ensinar ao outro. É triste quando achamos que conhecemos tudo do outro. É ruim do mesmo jeito quando nos fechamos em uma bolha e não nos permitimos enxergar a necessidade de mudança no outro. A possibilidade de surpreender é algo que faz muito bem a um relacionamento.

Os verdadeiros amigos sempre esperam a melhoria do outro. Ele acredita na mudança do outro, assim como acontece com o cônjuge. A falta dessa expectativa leva o relacionamento a um processo de falência. O amor conjugal precisa de alimento e ele se alimenta na alegria do existir do outro. A possibilidade de não mudança pode comprometer um casamento ou uma amizade.

Não podemos nos achar confiantes demais num relacionamento. Pelo fato de sermos crentes, termos pastores e líderes, nos sentimos à vontade para ofender, criticar e julgar o outro. Sabe qual é a orientação quanto ao casamento? Não se separe. Com base nisso, utilizam essa desculpa para gritar, passar dos limites, perderem o respeito e até a intimidade de um casal. Porque as pessoas se sentem seguras, julgam e predefinem o outro e não sabe porque o outro se distancia ou fica mais calado e anônimo.

Todas as coisas sadias se alimentam de pequenas gentilezas. Em um relacionamento, o sentimento se alimenta de cuidado e carinho. É preciso crer que o amigo e cônjuge são pessoas a quem Deus fala. Não existe apenas a sua voz, mas também a do outro que pode transmitir a voz de Deus a você.

O esmeril vai desgastando o ferro. As fagulhas vão moldando o outro, na companhia e permissão da existência do outro. Ao dar início a uma amizade sempre haverá atrito e mudanças. São os momentos das diferenças. Os pensamento e convicções diferentes permitem o crescimento. Não existe alma gêmea. Acorde deste sonho. Ou você está ignorando o próximo ou este relacionamento não está edificando ninguém. Quando há o atrito ou intromissão, há possibilidade de crescimento. Ai eu entendo o paradoxo. Temos a tendência de querer fugir dos atritos. Quando se pensa que não há mais mudanças, matamos nossa amizade e relacionamento.

Este versículo é um exemplo de como deve ser um relacionamento. (Leia Gálatas 2: 11 – 14). Quando se vê alguém que não procede de acordo com o Evangelho, não podemos ignorar ou colocar panos quentes. Os versos acima citam dois apóstolos. Dizem que em briga de dois elefantes quem sofre é o capim. O caminho de não confrontar, discipular ou afiar o outro não é a orientação bíblica. O confronto tem o objetivo de ensinar e fazer as pessoas dignas do Evangelho. Tem gente que se atrita com bobagens. Alguns valorizam as coisas e não o próximo. O que precisamos fazer, na verdade, é ensinar de acordo com o Evangelho que dita nossas posturas e comportamentos.

A igreja em célula é um ambiente para compartilhar riquezas com o próximo. Eu te protejo e você me protege. Ter panelinha não é o problema. Quem não faz parte de uma panelinha, não tem ninguém para ajudá-lo e por isso, acusam os outros. É um espírito de Caim que quer matar, ficar sozinho, sem amizade e sem atrito.

O objetivo das células é para melhor seu conhecimento, não teológico ou bíblico, mas para relacionamento com o outro. Às vezes, uma rodada de pizza é melhor do que uma discussão bíblica. Aqui, a amizade é priorizada. Você pode passar mil anos me servindo e ainda sim não ser meu amigo. Que a cada amanhecer, você possa ser renovado no coração e relacionamento com o seu amigo ou cônjuge. Que a cada manhã você possa permitir que o outro cresça ainda mais. Não é para matar o próximo, mas para fazer viver melhor.

Deus te abençoe, sempre.

Ap. Anselmo Valadão

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