Abençoados para abençoar.

Gênesis 12:1-6.

1 – Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.

2 – E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção.

3 – E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.

4 – Assim partiu Abrão como o SENHOR lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos quando saiu de Harã.

5 – E tomou Abrão a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e todos os bens que haviam adquirido, e as almas que lhe acresceram em Harã; e saíram para irem à terra de Canaã; e chegaram à terra de Canaã.

6 – E passou Abrão por aquela terra até ao lugar de Siquém, até ao carvalho de Moré; e estavam então os cananeus na terra.

Qual o objetivo do autor dessa narrativa? Como posso aplicar seus ensinamentos em minha vida? Tudo o que está escrito na Bíblia é importante e está lá por motivos importantes.

No episódio da Torre de Babel, o homem quer alcançar o céu usando para isso, o topo de uma construção. Queriam ser apenas um povo, uma só comunidade. Contudo, o objetivo de Deus é que se espalhassem pela Terra. A etnia nasce em Babel, ou seja, as nações da Terra.

A lógica do escritor bíblico é que o Jardim do Éden deveria ser o padrão para o resto do planeta. Ali, Deus se torna o referencial para o homem. O homem, no entanto, não aceita parte do que Deus tinha para ele, mas deseja ser dono de tudo e fazer as coisas como ele quer. Dentro do Jardim Deus mandava e o homem queria essa posição, queria a independência.

Fora do Jardim do Éden, o homem manda. Ele faz o mundo a sua imagem e semelhança e não a imagem e semelhança de Deus. Neste lugar, o homem impõe sua humanidade à natureza, aos animais e aos outros homens. Um mundo onde o homem é dono do homem. Deus, porém conserta as coisas. Ele diz, dentro e fora do Jardim mando eu também. O julgamento se dá em forma de um grande Dilúvio.

O homem insiste nesse conflito e resolve construir o que ele quer, para assim ser famoso e conhecido por todos pelos seus feitos. Ele rejeita a autoridade de Deus e resolve viver do seu jeito. Outra vez, Deus intervém e a tentativa da construção de Babel chega ao fim. A vontade de Deus prevalece. Aqui, se lê sobre a Gênesis das nações, a partir da Torre de Babel.

Em Gênesis 12, um outro personagem surge na história: Abrão. Por meio de Abrão, Deus deseja abençoar todas as nações da Terra. Mas como fazer isso se o germe da rebeldia está presente na Humanidade? Deus diz que abençoará a Abrão e dele fará benditas todas as nações da Terra. Não uma nação filha de Babel, mas filhos da obediência, por meio de Abrão.

Abrão casou com Sarai que era estéril. Seu filho, Isaque casou-se com Rebeca que também era estéril. Por sua vez, Jacó também se casou com Raquel e esta era estéril. A descendência de Abrão era estéril porque era o próprio Deus quem estava gerando uma nova nação para si.

Em Gênesis 3:15 Deus revela a descendência da mulher que esmagará a cabeça da serpente e assim abençoará todos os povos. Jesus era o grande trunfo e plano de Deus para a humanidade. Ele esmagará a cabeça da serpente e destruirá o espírito da serpente.

Segundo Paulo, em Gálatas 3:6,14 o homem tem inoculado em si, o espírito da serpente. Mas o descendente da mulher esmagará a cabeça da serpente. A nação que Deus deseja não nasce da rebeldia ou do espírito da serpente, como em Babel. Neste caso, a nação nasce do chamado de Deus.

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Em Joel 2:28, esta nação receberá outro espírito, o Espírito Santo. Em Pentecostes essa profecia se cumpre e todas as famílias são abençoadas. Estavam reunidas naquele lugar várias etnias de vários lugares do mundo. Somos filhos de Abraão, somos filhos da fé. O propósito de Israel não era apenas regional, mas universal. Isso significa que não somos protagonistas do pecado. Quer dizer que não temos nada a ver com o espírito da serpente, mas sim com o espírito de obediência e fé.

O espírito da serpente leva o homem a ser autônomo em suas decisões e modo de vida. O Espírito Santo é o espírito de obediência. Isso se manifesta no chamado de Abrão, para abrir mão de tudo e seguir ao Senhor.

Deus pede a Abrão que saia da sua casa e parentela e comece uma caminhada em direção aonde Deus quer levá-lo. Abrão desconhece o lugar chamado “lá”. O homem não gosta disso, na maioria das vezes, porque o espírito da serpente quer o controle de tudo. Ele não deseja que o homem ande pela fé. Ele age como os discípulos que apenas abandonariam tudo se soubessem o que ganhariam com isso. A resposta de Jesus foi que Ele, sua companhia e comunhão seriam suas recompensas. Se ele não estiver presente, nada vale a pena. Como escreve o salmista no capítulo 84, mas vale um dia na presença de Deus que mil em outro lugar. (Ler Sl 84:10).

Acompanhe a nuvem da presença de Deus. Se ela andar, ande. Se ela parar, pare. Qualquer questionamento é atuação do espírito da serpente. Não dê como desculpas seus compromissos e afazeres diários, apenas obedeça. “Não é tolo aquele que abre mão do que não pode reter para ganhar o que não pode perder”.

Nós somos o povo que vive pela fé. Não somos filho de Babel, mas de Abraão. A companhia de Deus em nossa vida é suficiente. Como diz o ditado antigo, caixão não tem gaveta. Você não pode levar nada para lá. Seu único bem deve ser Jesus, assim como descrito no Salmos 73:25.

Responda ao chamado do Senhor e se torne um povo abençoado. Filho da obediência e herdeiro das bênçãos do Senhor. Esse desejo e sua oração para que Jesus esmague o espírito da serpente devem ser diários.

Apóstolo Anselmo Valadão
15.03.09

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