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Como seria uma vida sem crises?

Texto: Lucas 24:13 a 35

Quando olhamos para esses dois discípulos, que narravam os fatos que aconteceram em Jerusalém naqueles últimos dias, fatos difíceis e marcantes, nos lembramos também dos 12 e, podemos vê-los sentados à beira mar. De repente, Pedro tem uma brilhante ideia: vamos pescar. Naquela praia, Pedro voltou a olhar para a praia e se lembrar do seu chamado.

Jerusalém era o lugar onde todos iam para descansar e rever seus familiares. Era a cidade na qual deixaram tudo para seguir a Jesus. Os discípulos de Emaús também passavam por uma situação parecida. Eles falavam entre eles, quando um terceiro homem aparece e pergunta o que acontecera.

Aqueles discípulos estavam vivendo uma crise de fé, assim como os de Jerusalém que resolveram voltar para a pesca. Quando você está vivendo uma crise, tudo parece velho, nada serve mais. A Escola de Líderes, a célula, tudo está ruim para nós, ou seja, estamos em crise. Quando nós a identificamos, junto com seus pontos, entendemos onde estamos e para onde caminhamos.

Parece que Deus não nos ouve mais. Questionamos todas as coisas. (verso 21). Entramos num espiral no qual esperamos que Deus fizesse algo, mas ele não faz nada. O povo esperava por um Jesus que os libertaria dos romanos, que pudesse mudar a sua sorte, mas Ele não o fez. Ele não era a solução política de Israel.

Quando enfrentamos uma crise espiritual, começamos a questionar porque Deus não faz. Começamos a perguntar: se Deus é bom, por que pessoas (boas ou não) morrem de enfermidades como câncer e outras doenças? Temos a sensação que somente os bons morrem e coisas ruins acontecem apenas com pessoas boas. Questionar é crise de fé e de relacionamento com Deus.

O que fazer com o que você crê que não surte os resultados esperados? Os discípulos caminhavam e falavam sobre o Jesus que expulsaria os romanos. Mas Jesus não era esse. Ele pergunta o que acontecera. “Você é o único que ainda não sabe”. Os discípulos estavam mortos, questionando algo que criam antes, mas agora nem tanto. Você busca, ora, oferta, mas com o passar do tempo tudo vai esfriando. Você não tem mais entusiasmo no culto, na reunião de célula, nas reuniões do ministério.

Jesus os chamou para mudar o mundo. Eles largaram tudo e o seguiram. Mas agora, em crise, eles decidem voltar para casa, para Emaús. O fato de estar aqui, todos os domingos, o que mais mudou a sua vida? Será que voltaram para Emaús, fazendo as mesmas bobagens do passado, voltando para o pecado?

As pessoas também perdem a sensibilidade. Podemos dizer que é a noite escura da alma. A alma está escura e parece que Deus não se mostra. Você não enxerga mais nada. E ainda tem raiva das pessoas que conseguem sentir algo. A alma está escura, tudo está ruim. Começamos a questionar, porque perdemos a sensibilidade. Crise de fé.

Não despreze a noite das lágrimas, porque Deus as usa para regar o solo que produzirão flores.

Mas como seria a vida sem crise?

Cristo não é mais informação na sua vida, Ele agora habita em seu coração. Quando você sai da crise e entende Jesus, você percebe que Ele está em seu coração. Eles falavam de Jesus que deveria libertá-los dos romanos, um homem guerreiro, forte e corajoso. Quando Jesus começou a falar, contudo, eles entenderam e saíram da crise.

Jesus não era mais uma informação. Os seus olhos se abriram e sentiram em seu coração que Jesus estava de volta e que deveria entrar no coração deles. Uma coisa é ouvir Deus outra coisa é senti-lo no seu coração. Saia da informação e viva Jesus. Eu não sou noticia ou informação, eu sou vida. Essas palavras de Jesus fez arder o coração dos discípulos. Quando você crê, você está no nível da informação. Mas é preciso sentir Deus. Não busque um Deus externo, mas aquele que habita em você. Temos a tendência de querer mostrar a transformação externa, aquela que todos podem ver: uma casa nova ou carro novo.

Em segundo lugar, quando saio da crise, Deus deixa de ser descrito pelas marcas e clichês religiosos. Somos movidos por doutrinas, pela religiosidade. Queremos promover a nossa fé, como uma receita, um caminho. Quando estamos na crise, Deus se revela na pessoa de Jesus. Uma pessoa em crise vive dizendo: a profetiza me disse, mas não aconteceu. Meu irmão e irmã, ouça Deus e não viva de recados. Viver os clichês da religião, insinuando o formato de Deus, que outro nos vendeu, isso é crise. São crises de fé, com clichês religiosos. Somos livres pra buscar a revelação do próprio Deus.

Em terceiro lugar, você é intimo de Deus. Não estamos falando de um Deus lá, mas aqui. Não de longe, mas perto de você. Deus é mais intimo de mim, do que eu mesmo (Agostinho). Deus está mais presente em mim, do que eu mesmo, dentro de mim. Jesus saiu do exterior para o interior do coração. A Bíblia diz que seus olhos se abriram e Ele foi para dentro deles. A questão é: Cristo em mim. Eles queriam um Jesus chutando romanos, expulsando pessoas de Israel. Mas ele queria habitar dentro deles. Jesus está a porta, batendo, quem ouvir e abrir a porta, ele entrará em sua casa.

Em quarto lugar, Deus dá sentido a minha vida. Aqueles discípulos de Emaús, ao atenderem o chamado de Jesus, foram para Jerusalém. Quando Jesus entra na vida de uma pessoa que não está em crise de fé, a vida faz sentido, totalmente, porque Jesus está dentro dela.

Queremos um Deus que trabalhe para nós, e não um Deus que inunde e preencha nossa vida. Quando foi o momento que você não tinha vontade de fazer algo, de jeito nenhum, mas por Jesus você o fez? Deus é verdadeiro para você quando ele dá a direção para sua vida. Tem pessoas estruturando a casa na areia, porém um dia, a casa vai cair. A chuva vai bater forte e não suportará a força do vento.

Peço a Deus para que possamos sair da mornidão. Não cabe mais o “talvez”. Às vezes, penso que deveríamos atravessar por alguma crise mesmo, para que possamos viver a vida de Deus, de fato, para que você entregue sua vida a Ele, para que Ele habite dentro de você e não do lado de fora.

É possível estruturar sua fé, ter intimidade, chamá-lo para fazer parte do lado de dentro da sua vida. Hoje, é tempo de deixar Emaús e voltar para Jerusalém. Eles tinham entregado tudo e estavam voltando para Emaús, tristes, sem nada: perdemos nossos barcos, largamos família e agora temos que voltar. Aqueles homens não tinham entendido ou compreendido onde Jesus queria estar: do lado de dentro e não de fora.

Que você chame Deus para participar das suas decisões. Estruture sua vida na presença do Pai. Talvez hoje, você esteja questionando Deus por todas as coisas que Ele não fez. Será que este questionamento cabe a um filho de Deus? Será que não seria a atitude de um néscio? Será que não entendemos que Deus está trabalhando, lapidando e moldando nossa vida? Como temos dificuldades para entender! O profeta diz que os pensamentos e caminhos d’Ele são mais altos que os nossos. Deus está em outro nível, acima de tudo e todos e você pode estar lá também.

Quanto mais questionamento existe, mas dolorida será sua transformação. Entrega, entrega logo. Quanto mais você demorar, mais vai doer. Seja dependente, ouça a voz de Deus e por inteiro se entregue em suas mãos. O seu lugar é em Jerusalém e não em Emaús. Volte, não para o seu passado, mas para o coração de Deus.

Deus te abençoe.

Apóstolo Anselmo Valadão

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