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Jesus nao cabe na religião.

Texto: Atos 6:8-15

8 – E Estêvão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo.

9 – E levantaram-se alguns que eram da sinagoga chamada dos libertinos, e dos cireneus e dos alexandrinos, e dos que eram da Cilícia e da Ásia, e disputavam com Estêvão.

10 – E não podiam resistir à sabedoria, e ao Espírito com que falava.

11 – Então subornaram uns homens, para que dissessem: Ouvimos-lhe proferir palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus.

12 – E excitaram o povo, os anciãos e os escribas; e, investindo contra ele, o arrebataram e o levaram ao conselho.

13 – E apresentaram falsas testemunhas, que diziam: Este homem não cessa de proferir palavras blasfemas contra este santo lugar e a lei;

14 – Porque nós lhe ouvimos dizer que esse Jesus Nazareno há de destruir este lugar e mudar os costumes que Moisés nos deu.

15 – Então todos os que estavam assentados no conselho, fixando os olhos nele, viram o seu rosto como o rosto de um anjo.

Falamos o tempo todo sobre Atos e a igreja de seu tempo. Em nossa declaração de propósitos destacamos que somos uma igreja que pratica os atos de Jesus. Como Estevão, essa igreja pregava um novo estilo de viver, sem discussão de religião, mas falando exatamente daquilo que recebera de Jesus.

Contudo, ao falar de religião não podemos deixar de falar do Judaísmo. Judaísmo não tem nada a ver com etnia ou um lugar geográfico específico. Ao citar Judaísmo não estamos falando de israelitas tampouco de hebreus. Citamos uma religião.

A partir da etnia abraamica, surge a religião judaica e mais tarde o próprio cristianismo. Os descendentes de Abraão eram propriedade exclusiva de Deus, mas Deus não era exclusivo deles. Através de uma experiência com Abraão, Deus se revela Senhor que abençoa todas as famílias da Terra. O Judaísmo, com todas as suas variações, não entendia a Lei de Moisés como lei, mas como uma Religião. Neste caso, o próprio Cristianismo se tornava encapsulado pelos princípios humanos. Jesus é, portanto, o Judaísmo levado a sua plenitude.

O que Estevão discerne e diz a todos é que Deus não é exclusivo do Judaísmo, até porque a promessa d’Ele é que através de Abraão, todas as nações e famílias da Terra seriam benditas. Na passagem Atos 6:11-14, os hebreus incriminam Jesus de ter blasfemado contra o Templo e Moisés. Estevão estava tomando a mesma direção.

O que na verdade Estevão estava dizendo ao relembrar toda a antiga história desse povo é que Deus é o verdadeiro protagonista. Ele está por trás de tudo o que aconteceu com seus antepassados, seja Abraão, Moisés ou qualquer outro. Deus está por trás de José, de Moisés, de Josué, de Davi, de Salomão sustentando cada um deles e mais que isso, a própria história desse povo.

A revelação máxima de Deus é seu filho Jesus. A plenitude de Deus é Jesus, o que resta disso tudo é apenas sombra. Não devemos permitir que isso prenda as pessoas. Ao rejeitar Moisés, Josué, Davi e tantos outros, inclusive Jesus, a nação de Israel cria para si ídolos ou falsos deuses. Israel apenas se importava com seu projeto religioso étnico.

Mas Deus não se deixa enclausurar pela religião. Colossenses 2:16,17 diz:

16 – Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados,

17 – Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo

Deus estava semeando em Israel. Qual a revelação plena de Deus? J-E-S-U-S, o máximo da Revelação. Não é a Lei, nem festas, nem o Templo ou o Cordeiro. É em Jesus que Deus manifesta sua vontade. O resto é apenas sombra.

No Monte da Transfiguração, Moisés e Elias se rendem a Jesus. Em outras palavras, a Lei e os Profetas se sujeitam a quem é maior que eles: Jesus, o filho de Deus. A mensagem a ser aprendida em Atos 7:57 é que a religião não pode prender Deus, principalmente nos moldes humanos. Deus não se deixou prender na religião judaica. Deus não se deixou prender no Templo de Salomão, mas Sua glória percorreu todos os lugares.

Por uma ironia de Deus essa verdade, revelada a Estevão pelo Espírito Santo não foi dita pela boca de Moisés, nem por algum apóstolo. Os poetas da Grécia antiga escreveram: em Deus nos movemos e existimos. (Atos 17:28) Não podemos achar que nossos ritos, canções, costumes ou festas prenderão Deus. Não servimos a um Deus que se encolhe a ponto de caber na Lei de Moisés.

Contudo, ele é Deus que diminui tanto a ponto de se “tornar” um bebezinho numa manjedoura, mas que vai crescendo, crescendo até que a uma cruz não possa detê-lo, nem tampouco a morte vencê-lo. Jesus derrota a morte, vence o pecado, saqueia o inferno e resgata sua vida do reino de trevas, transportando para o seu reino de luz, paz e salvação.

É a esse Deus que seguimos. Neste Deus que cremos e para este Deus que entregamos nossa vida e decidimos viver para Ele. Um Deus que não cabe dentro da religião, mas que escolhe habitar dentro de cada filho seu.

Deus te abençoe.

Apóstolo Anselmo Valadão

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